Entrevista com o colorista e ilustrador Geraldo Filho
by PepilegalSaudações leitores…
Entrevistei no último fim-de-semana, o colorista e ilustrador Geraldo Filho. Meu objetivo nessa série de entrevista é mostrar variadas opiniões sobre o quadrinho nacional. Estou buscando pessoas que dão duro dia-a-dia pela nossa tão querida nona arte. Espero sinceramente que gostem.
Vamos começar pelo começo (redundância ataca novamente): Quando e como você descobriu que gostava de desenhar, colorizar e etc.?!
Cara, eu comecei a gostar de desenho e etc. quando tinha 10 anos. Comecei a comprar HQs e tentar desenhar os super-heróis.
Quais eram seus favoritos nessa época?
Na época eu fiquei fã de Homem-aranha e Batman, principalmente na época da Queda do Morcego.
Quando surgiu a idéia de transformar o desenho numa profissão?
Cara, a partir do momento em que eu comecei a desenhar. Não tem esses guris que dizem que querem ser jogadores de futebol? Eu queria ser desenhista e ainda to tentando ser.
Quais foram as dificuldades que você enfrentou no começo? E quais são que você enfrenta hoje?
Cara, o primeiro é passar pela vida de fanzineiro, passei 5 anos desenhando um fanzine e não ganhava nada. E ainda fui enrolado pelo meu “amigo” que fazia as coisas e não avisava, perdia muito dinheiro e sempre metia os pés pelas mãos. Eu me indignei com isso e sai do grupo, então comecei a procurar trabalho na internet. Resolvi mudar o meu foco parei de desenhar e comecei a estudar colorização. Então arrumei alguns bons contatos e amigos e fui fazendo algumas colorizações eróticas para os EUA, já que esse mercado e bem fácil de ganhar grana. A coisa mais chata é ter que correr atrás de trabalho fora do Brasil porque aqui não tem um mercado. O cara pode se dar bem como ilustrador para publicidade, mas não se vive de quadrinhos no Brasil.
Por que você acha que isso acontece?!
A primeira coisa e a falta de união e a outra é que não existem, como existem nos EUA, editoras com uma boa publicidade e com boas historias que faça os jovens comprarem.
Você encontra raras HQs nacionais em bancas e baratas, A maioria está em formato mais caro e são vendidas em livrarias. Você acha que se fossem lançadas HQs nacionais mais baratas, acessíveis a quem compra seu “gibi” nas bancas, isso ajudaria a tornar popular as HQs nacionais?
Sim, tenho esse exemplo com o fanzine que participava. A gente fez uma impressão de 96 páginas e fomos pra Sampa expor. Chegando lá, a nossa idéia era de vender por R$5,00, mas pensamos que se vendêssemos mais barato, nosso trabalho ficaria mais conhecido e no próximo número possivelmente iríamos vender mais. Então baixamos para R$1,00 e vendemos mais que todos no evento. Mesmo assim não ficamos no prejuízo, já que a impressão foi relativamente barata.
Você afirma que o quadrinista tem que se tornar conhecido. Você acha que o leitor prefere comprar uma HQ de um autor conhecido no formato Graphic Novel por mais de R$20,00 ou então comprar de autores desconhecidos numa faixa de R$3,00 a R$5,00?
Acho que depende de como a revista vem sendo apresentada ao público.
Você sabia que nos estados unidos as HQs começaram a se tornar populares através de tiras de jornal e de revistas de baixa qualidade. Acha que isso poderia funcionar no Brasil?
No Brasil já ouve uma fase boa nos quadrinhos e não só nos EUA existe isso, mas no Japão também. Acho que daria certo sim.
Alguma coisa que você gostaria de dizer pro pessoal que está na mesma situação que você, lutando por seu lugar ao sol?
Que nesse meio não devemos desistir. Se for o que nós queremos e gostamos, devemos correr atrás por mais tarde que o resultado chegue.
Valeu cara, agradeço pela entrevista.
Até o próximo post.

